Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de Abril. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de Abril. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Figueira da Foz, 25 de Abril de 1974

-Em 23 de Abril de 74 o Capitão Dinis de Almeida deslocou-se a Lisboa a fim de se apresentar no tribunal onde fora chamado. À tarde chegou à Figueira da Foz o Capitão Pizarro que me expôs a sua situação. A Companhia com que contava encontrava-se em exercícios no campo não me podendo garantir a sua arrancada. Caso lhe fosse possível poderíamos contar com ele. Se não pudesse arrancar com a coluna viria só, juntar-se a nós. Ninguém até esta altura, dentro do Aquartelamento do R.A.P. 3, estava a par do que se planeava. O Capitão Dinis de Almeida havia Iniciado uma campanha de mentalização cuidada entre os seus recrutas. Recordo, por exemplo os versos de António Aleixo que em uníssono ele encorajava a cantar:
«Vós que lá do vosso Império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos, que pode o povo
Qu'rer um mundo novo e sério»

«Que importa perder a vida
Em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?»

No dia 25 de Abril à hora prevista, é tomado o Regimento após terem sido avisados os camaradas da E.C.S. que lá fora aguardavam desesperados desde a 1 hora. Eram 3 horas e 40 minutos chega a altura de Aveiro. Chegava antes da hora prevista e Isso ía alterar os planos por nós traçados anteriormente. O movimento gerado la acordar o Cor. Aires de Figueiredo e o Major Malaquias que nesta altura ainda não sabíamos que não se encontravam a dormir no quartel. Imediatamente o Cap. Diniz de Almeida se dirigiu à messe de oficiais. Já o comandante se levantara e se dirigia para o quartel. Foi Intimado a render-se tendo então sido detido. Teve que se aguardar a saída dos presos da prisão do quartel e limpeza da mesma para nela se meter provisoriamente o Cor. Figueiredo. Logo que foi possível foi transferido para o seu quarto dando-lhe toda a liberdade que na altura era aconselhável. Quando deu entrada na prisão apresentou-me voluntariamente uma pistola que trazia no bolso. - Todos os oficiais e sargentos milicianos bem como os praças presentes no quartel aderiram imediatamente e se colocaram inteiramente à nossa disposição.
A coluna de Aveiro entrou para o quartel aguardando a preparação da coluna do R.A.P. 3 e a chegada da coluna do C.I.C.A 2 e do R.1. 14. Entretanto assumia o Comando do R.A.P. 3 o Capitão Ferreira da Cal, como oficial mais antigo, que juntamente com o Cap. Moço e Ten. Garcia haviam vindo de Águeda. A coluna foi formada rapidamente; a colaboração de todos foi admirável. Do R.A.P. 3 saíram 6 bocas de fogo 10,5 cerca de 300 homens transportados em 40 viaturas. A coluna do C.I.C.A. 2 entrou no R.A.P. 3 pelas 6 horas. Esperava-se pela do R.1. 14 que não chegara ainda. Pelas 7 horas saiu a coluna em direcção a Leiria e um quarto de hora depois aparecia do R.1. 14 que se lhe foi juntar no percurso.
Constituiu-se assim o -Agrupamento NOVEMBER- com cerca de 60 viaturas e mais de 500 homens. - A partir desta altura a vida da unidade decorreu normalmente sem os oficiais superiores que entretanto ficaram em casa bem como a grande maioria dos restantes oficiais e sargentos do O.P. A porta de armas manteve-se fechada. O pessoal que seguiu na coluna com os objectivos de Peniche e Lisboa permaneceu na capital sendo substituído em 27/4 por uma outra bateria que continuou sob o comando do Cap. Dínlz de Almeida. - Destacava-se além da grande actividade desenvolvida pelo Cap. Diniz de Almeida que deverá ser analisada a nível superior, a dedicação que o aspirante Mil. Matos pôs nas tarefas que lhe confiei sendo de uma voluntariedade admissível e digna de ser realçada sua actividade teve grande Influência para o excelente desencadeamento da manobre que se Iniciou na Figueira da Foz. Poderei ainda mencionar o Asp. Mil. Borges pela excelente colaboração que me prestou. O 1º cabo Mil. Vitorino foi também muito Influente na boa concretização dos pormenores prontificando-se a dormir sempre no quartel desde que eu lho ordenei embora tivesse quarto fora. Poderia mencionar ainda o nome de todos os militares que comigo colaboraram nos preparativos da coluna e ainda os que abnegadamente fizeram alguns serviços seguidos sem nunca por Isso terem manifestado o mais leve desagrado.

Figueira da Foz, 1 de Maio de 1974.
FAUSTO ALMEIDA PEREIRA,
Cap. de Artilharia
 
Fonte Album Figueirense 2008/04/25

Soares acusa Governo de estar contra princípios de Abril

Por falar em vender, fala o "RÔTO" do "MAL REMENDADO". Devia era ter mais respeito  pelo 25 de Abril que tantas "mordomias" lhe deu.

domingo, 26 de abril de 2009

Carretas animam Vila Verde

Perante numeroso público, disputou-se a 10ª edição, da já tradicional corrida das carretas, em Vila Verde. Concorrentes foram 26, divididos em três categorias: tradicionais, grande turismo e cadetes. A prova dividiu-se como já é habitual em duas mangas e os vencedores foram:


1º Lugar categoria "tradicionais" - Duarte Silva


1º lugar categoria cadetes - Pedro Carvalho


1º lugar categoria grande turismo - Tiago Parreira


Carreta e piloto mais original - Paula Vasco



Piloto mais distante - Ricardo Ferreira ( Castanheira do Ribatejo)
Fotos: Jorge Pedro e Jorge Fernandes

sábado, 25 de abril de 2009

A Figueira e a revolução de Abril

REGIMENTO DE ARTILHARIA PESADA 3
RELATÓRIO
...Iniciado o levantamento militar com a detenção dos oficiais de serviço e com a prisão do Coronel Aires de Figueiredo por mim pessoalmente efectuada às 3 horas da manhã do dia 25 de Abril tratei Imediatamente de acordar o restante pessoal e activá-lo, Iniciativa francamente favorecida pelo trabalho de mentalização anterior a este dia. A saída da coluna do quartel já devidamente municiada e ainda organizada só foi possível com o clarear do dia dadas as dificuldades levantadas pela existência de uma profunda escuridão nesse dia. Contribuíram para este ligeiro atraso, a necessidade de arrombar paióis e a falta desesperada de quadros: os cabo milicianos não pernoitavam no quartel a adesão dos sargentos era duvidosa, a adesão dos oficiais do serviço geral era decerto negativa os oficiais milicianos pouco Informados dos pormenores operacionais que possibilitariam avaliar as possibilidades de êxito era parcial embora restassem poucas dúvidas sobre a boa vontade em aderir e o facto de sermos apenas dois capitães do Movimento neste quartel: Capitão de Artilharia Eduardo Diniz Leitão dos Santos Almeida e Capitão de Artilharia Fausto Almeida Pereira.
No próprio dia 25Abr74, o Comando desta Unidade, ao ser Instado pelo Sr. Alf. Santos. oficial cripto do Regimento para definir via rádio a sua posição, acabou por ceder dando ordem para transmitir a adesão da Unidade ao M.F.A.; mas só em último lugar ... em último não que dá muito nas vistas; ... penúltimo .. penúltimo lugar é melhor ... Este exemplo está longe de ser um acto isolado .. Chegámos a Peniche cerca das 11 horas desse dia, e ficou assente que grosso da coluna devia seguir para Lisboa ficando em Peniche o Capitão Rocha dos Santos com uma companhia de Infantaria reforçada com duas secções de obuses comandadas pelo Asp. Monteiro. Chegados a Lisboa cerca das 17 horas, assistimos à imediata adesão do R.A.L. nº 1, para a qual não chegámos a contribuir, ficando pois o mérito desta adesão devido à própria Unidade e não à nossa chegada. Avançámos pelas ruas de Lisboa à espera de resistência que felizmente não viemos a encontrar. Posteriormente, a chuva, a falta de cobertores e abastecimentos. o cansaço dos homens e principalmente o facto de Já não ser necessária a nossa actuação, Além do adiantado da hora, levaram-me a decidir proporcionar aos militares sob o meu comando um merecido e necessário repouso, a fim de permitir manter o grau de operacionalidades as circunstâncias impunham. Aquartelados no R.A.L. 1, limitámo-nos nos dias subsequentes a detenções de FACs e Gls. Sem mais acções de realce, ocupámos posteriormente o Quartel da Ex-Legião Portuguesa, tendo mandado recolher ao Quartel 3 baterias, ficando apenas com uma bateria operacional. Circunstâncias várias, entre as quais avultam diminutos efectivos presentes face a um grande número de serviços retiraram a esta Bateria de Intervenção o grau de operacionalidade anteriormente obtido. O número reduzido de homens do R.A.P. n.º 3 presentemente em serviço na Legião deve-se ao facto de ter mandado regressar à Unidade a maior parte dos militares da mesma, a fim de permitir o regular funcionamento da mesma, porque mesmo os que neste aquartelamento ainda se encontram, fazem falta ao regular andamento dos serviços, estando por Isso previsto o seu regresso em breve...
...Todos os oficiais e sargentos milicianos bem como os praças presentes no quartel aderiram imediatamente e se colocaram inteiramente à nossa disposição. A coluna de Aveiro entrou para o quartel aguardando a preparação da coluna do R.A.P. 3 e a chegada da coluna do C.I.C.A 2 e do R.1. 14. Entretanto assumia o Comando do R.A.P. 3 o Capitão Ferreira da Cal, como oficial mais antigo, que juntamente com o Cap. Moço e Ten. Garcia haviam vindo de Águeda. A coluna foi formada rapidamente; a colaboração de todos foi admirável. Do R.A.P. 3 saíram 6 bocas de fogo 10,5 cerca de 300 homens transportados em 40 viaturas. A coluna do C.I.C.A. 2 entrou no R.A.P. 3 pelas 6 horas. Esperava-se pela do R.1. 14 que não chegara ainda. Pelas 7 horas saiu a coluna em direcção a Leiria e um quarto de hora depois aparecia do R.1. 14 que se lhe foi juntar no percurso. Constituiu-se assim o -Agrupamento NOVEMBER- com cerca de 60 viaturas e mais de 500 homens. - A partir desta altura a vida da unidade decorreu normalmente sem os oficiais superiores que entretanto ficaram em casa bem como a grande maioria dos restantes oficiais e sargentos do O.P. A porta de armas manteve-se fechada. O pessoal que seguiu na coluna com os objectivos de Peniche e Lisboa permaneceu na capital sendo substituído em 27/4 por uma outra bateria que continuou sob o comando do Cap. Dínlz de Almeida. - Destacava-se além da grande actividade desenvolvida pelo Cap. Diniz de Almeida que deverá ser analisada a nível superior, a dedicação que o aspirante Mil. Matos pôs nas tarefas que lhe confiei sendo de uma voluntariedade admissível e digna de ser realçada sua actividade teve grande Influência para o excelente desencadeamento da manobre que se Iniciou na Figueira da Foz. Poderei ainda mencionar o Asp. Mil. Borges pela excelente colaboração que me prestou. O 1º cabo Mil. Vitorino foi também muito Influente na boa concretização dos pormenores prontificando-se a dormir sempre no quartel desde que eu lho ordenei embora tivesse quarto fora. Poderia mencionar ainda o nome de todos os militares que comigo colaboraram nos preparativos da coluna e ainda os que abnegadamente fizeram alguns serviços seguidos sem nunca por Isso terem manifestado o mais leve desagrado.
Figueira da Foz, 1 de Maio de 1974.
FAUSTO ALMEIDA PEREIRA, Cap. de Artilharia

sexta-feira, 24 de abril de 2009

25 de Abril

Vale a pena relembrar antes que este dia seja apagado de vez do calendário ...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

As portas que Abril abriu....



Grândola, vila morena,
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, oh cidade

Cronologia da participação das duas unidades do Exército da Figueira da Foz ( ex-RAP3 e ex-CICA2)

25 de Abril de 1974

02h00 - No RI14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November».

02h30 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do RAP3, na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço. Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda.
03h40 - A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante desta unidade, é detido nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte. A coluna do RAP3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro e aguarda-se que cheguem as forças do CICA2 e do RI 14.
03h55 - A companhia auto transportada do RI14, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede, dirigindo-se para a Figueira da Foz.
07h00 - O Agrupamento Norte, envolvendo, nesta altura, forças do RAP3 e CICA2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro, sai a porta de armas do quartel e mete-se à estrada, em direcção a Leiria.

07h30 – Militares do RI14 chegam à Figueira da Foz e integram as forças do Agrupamento Norte, muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva.

10h30 - O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do regime. A companhia do CICA2 e duas secções de obuses do RAP3 montam cerco a este objectivo. O grosso da coluna, face à resistência da PIDE/DGS, segue para Lisboa.

21h00 - Forças do RAP3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1.


Dia 26 de Abril de 1974

13h00 - Inicia-se a libertação dos presos políticos nas cadeias de Caxias e Peniche, com a participação de militares do CICA 2 e do RAP3.

Obs: O CICA 2, Centro de Instrução e Condução Auto Nº 2 é hoje a Universidade Internacional da Figueira da Foz.
O RAP3, Regimento de Artilharia Pesada Nº 3 é hoje a Escola de Formação da GNR.
Esta cronologia, ilustra a importância que tiveram as "nossas" unidades do exército de então , estacionadas na Figueira da Foz. Quem por obrigação delas fez parte, não pode deixar de ficar insensível e recorda, com nostalgia, a data, os camaradas de então e a alegria pelo virar uma página negra da nossa história. Passados 34 anos, uma pergunta anda no ar. Será que Abril abriu de facto todas as portas, ou estas apenas se abriram para alguns?
25 de Abril .... sempre

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Documento assinado por figuras do PS critica situação actual do país

Várias figuras do PS assinaram um documento emitido pela Associação 25 de Abril, que apela à participação no desfile do 25 de Abril e faz uma análise crítica à situação do país.O "Apelo à Participação", divulgado ontem pela Associação 25 de Abril, conta com a assinatura de diversas figuras do PS, entre os quais Mário Soares, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues, Almeida Santos ou Maria de Belém Roseira. Ao longo do documento pode ler-se que "as incertezas de uma conjuntura económica, afectada pela eclosão e desenvolvimento de várias ordens de crises e, no plano interno, pela permanência dos problemas estruturais de que o país continua a padecer, fazem com que as comemorações do 25 de Abril de 2008 se processem num clima pouco desanuviado e escassamente propício à jubilação colectiva".
"Numa altura em que os diversos índices sociais e económicos continuam a remeter-nos para os últimos escalões da Europa Comunitária, não poderá haver lugar para o enfraquecimento dos serviços que cabe ao Estado assegurar", refere ainda o manifesto emitido pela Associação 25 de Abril.
Vasco Lourenço, presidente da associação, disse hoje à Lusa que o documento "não é, de maneira nenhuma", uma crítica ao Governo de Sócrates e que "cada um lê o que quiser". "Não há crítica, nem se pretende que haja. O documento é uma análise não conjuntural, além disso, o PS faz parte da Comissão Promotora, essa especulação não faz qualquer sentido", concluiu Vasco Lourenço.
O desfile, entre a Praça do Marquês de Pombal e a Praça do Rossio, tem início às 15h00 de sexta-feira.
Fonte " O Público " (2008 Abr 22 - 15h13)