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segunda-feira, 6 de abril de 2009

7 de Abril - Dia Nacional dos Moinhos

No calendário das efemérides portuguesas, o Dia Nacional dos Moinhos comemora-se a 7 de Abril. Na década de 60 do século passado, um levantamento da Comissão de Regulação de Moagens de Rama (farinhas antes de serem peneiradas) estimou em 11.000 o número de moinhos de água e vento a funcionar e com uma produção dirigida ao mercado. Mas os especialistas consideram que o número de exemplares existentes "é muito superior".
A Rede Portuguesa de Moinhos, criada em Abril de 2006, está a efectuar um inventário para conhecer e preservar este património nacional, uma "tarefa gigantesca" que só deverá ficar concluída dentro de três décadas.

Na foto, um moinho de vento mandado construir pela Junta de Freguesia de Vila Verde _ Figueira da Foz. Sobre o lado direito da foto pode ver uma réplica feita artesanalmente em cana pelo senhor Ernesto Costa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dia dos Moinhos Abertos comemorado na Figueira da Foz


Assinala-se amanhã, dia 4 de Abril, o Dia Nacional dos Moinhos Abertos, com um programa de visitas que contempla o Concelho da Figueira da Foz. Nesse âmbito,vai ser feita uma visita guiada ao moinho da Azenha e ao moinho de água em Quiaios, com uma explicação acerca do seu funcionamento. Os interessados podem comparecer, pelas 10h00 horas, na praceta Pavilhão do Terreiro, na Praia de Quiaios. A iniciativa pertence à “Rede Portuguesa de Moinhos”. Mais informações podem ser obtidas através do tlm 918146117.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O Moinho de Vila Verde com o seu moleiro

Esta uma homenagem do "Moinho", a todos os moleiros e em especial ao nosso "Toino". Um obrigado ao João Pedro, pelo mail enviado e um bem haja ao realizador do vídeo, José Carlos Monteiro.


domingo, 20 de abril de 2008

O Moinho em suporte de papel.....

Será verdade que os posts e comentários do Moinho, em suporte de papel,, são presença obrigatória, para conhecimento e análise, em reuniões e palestras aqui no nosso burgo? Eh lá, mas o que isto? O pessoal não tem acesso à internet ou quê? :-)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Moinho molhado

Hoje, pelas 14h30, quando pretendi visitar o nosso moinho, já não estava em funcionamento. Tinha as velas já enroladas, certamente devido às más condições atmosféricas. Mas como não gosto de faltar ao prometido, publico a foto do mesmo todo engalanado, com as sua lindas velas ao vento. Reparem como é bonito o nosso moinho. Ao seu lado, podemos observar uma réplica deste com o seu proprietário, senhor Ernesto Costa. Pena não ter ficado mais visível. A foto remonta ao dia 01 de Maio de 2007. Fica bem, até parece o pai e o filho. :-)

Foto cedida por Paulo Simões

Dia Nacional dos Moinhos

O Vento e o Moleiro
Estávamos em meados de Dezembro daquele mau ano de 1947. Aproximava-se o Natal e começava a sentir-se a procura de farinha para com ela se confeccionarem as tortas e os filhós, únicas guloseimas das famílias de então.
O Zé Moleiro ia, com dificuldade, satisfazendo as encomendas, transformando o milho que os fregueses lhe levavam para moer. Todo o ano ao laré e agora tudo de afogadilho.
- Quando é que venho buscar a farinha T’Zé?
- Olha menina vai depender do vento. Talvez amanhã por esta hora, à noitinha.
Não podia dizer que estava p’ra ali cheio de milho e que ela não tinha vez. A constar-se iam a outro. Moleiros era o que mais havia. Por isso aceitava mais esta encomenda e fosse o que Deus quisesse.
- Porque é que não disseste logo à cachopa que no podias? Perguntou-lhe a sua Alice quando ele fechou a porta.
- Ora, porque é que não lhe disse?! Porque não. Depois se vê.
- Anda, come a sopa p’ra t’ ires deitar, continuou a Ti Alice.
O T’ Zé comeu o prato da sopa, bebeu um copo e espetou com o garfo o pedaço de toucinho que mastigou com um naco de broa. Ajudou com mais um copo.
– Anda vai. Leva o candeeiro que eu vejo bem. Quando estiveres deitado vou-to buscar p’ra lavar a loiça.
- Acaba de comer, raio. Já vou. – Disse enfadado o T’ Zé.
Como muitas outras, aquela não foi uma noite sossegada. Pelas frestas das janelas e porta da sua pobre casa, entrava um vento forte cujo silvo o acordara.
Abriu os olhos e pôs-se à escuta: - Granda Nortada - pensou.
- Ó Lice tás a oivir?
- Tou.
- Que horas devem ser?
- Inda à bocado bateram 3. – disse a Alice.
- Atão no estavas a dormir!
- Já estou acordada à muito tempo. Só agora é que oivistes?
- Vou-me embora. Vou aproveitar. No está a chover, poi não?
- Não. Agasalha-te. O barrete está em cima do banco.
O T’Zé acendeu o candeeiro, vestiu-se e foi ao curral. A burra soltou um Brrrr, como a dizer que sim e deixou-se aparelhar.
Meteu dois sacos um em cada pernil do ceirão e outro sobre o lombo da burra que puxou para fora do curral.
A noite era de breu e o frio de rachar. Enfiou o barrete até às orelhas e seguiu serra acima atrás da burra em direcção ao moinho.
- Arre burra, dizia em voz de surdina. Olhou em redor. Nada, não via nada a não ser por breves momentos quando a Lua se descobria.
No caminho, a casa do David, depois a dos Cotos mas gente àquela hora e com tal tempo, nem vivalma.
Só se ouvia aquele bendito vento de Nordeste que fazia balançar e ranger os pinheiros bravos da serra e se introduzia pela camisa adentro, passava a pele e lhe ia até aos ossos. – C’um cassete.
Chegou. Descarregou a burra. Tirou o milho e o ceirão para dentro do moinho, foi-se à tranca e virou o moinho para Nordeste. Depois foi soltar as velas. Deu pouco pano para não partir o mastro. Prendeu uma verga ao cabresto e foi levantar a mó.
Encheu meio tegão de milho e soltou a corda, libertando as vergas que a custo seguravam as velas.
Em segundos a antrosga rugiu. Baixou a pedra lentamente e foi apalpando a farinha corrigindo a altura da mó andadeira até ao ponto ideal de moagem. Não a queria muito fina. O Farelo tinha que ficar na peneira porque as galinhas também tinham que comer.
Agora era o som das mós a roçarem-se moendo, moendo. Todo o moinho vacilava, tal era a rotação do engenho. Aquele vento era uma bênção.
- É r’paz o carreto nem se vê. Deus queira que t’aguentes até de manhã.
Enfiou um pouco mais o barrete e veio cá fora desfrutar daquele bendito vento e do rodar das velas a meio pano.
– Ninguém o íria bater naquela noite. O Manel Costa havia de ficar cheio de inveja.
Lá dentro, o cadelo vibrava, o chamadouro saltava e o milho ia caindo do tegão no olho da mó andadeira desfazendo-se em branca farinha e deixando um característico cheiro a amido.
Uma palmada no cambeiral fez sair uma lufada de farinha acumulada no interior que quase encheu a tulha.
Abriu mais o tempero da quelha para cair mais milho. A mó andadeira estava imparável. Tragava tudo.
Quando encheu o primeiro saco foi descansar sobre o ceirão.
Adormeceu de imediato, embalado pelo moinho vacilante e pelo cantar do vento.
Sobre a manhã, apareceu com o pequeno almoço a sua Alice. O vento tinha amainado.
- Atão? Quantos alqueires já moestes? E dobrando-se para a frente ia dispondo sobre a tulha, a toalha, dois pratos, um naco de broa e a fritura de toucinho, chouriço, ovo e muita cebola.
O T’ Zé, não respondeu. Sorrateiro, veio por detrás dela, poisa-lhe um braço sobre as costas, obrigando-a a vergar-se ainda mais ao mesmo tempo que com o outro braço a puxa pelo ventre para si.
- Raio. Gemeu a Alice com a cabeça sobre os pratos, apoiando-se com os cotovelos sobre a tulha.
Não havia nada a fazer. O Ti Zé, mantinha-a abraçada por detrás. Enérgico, desceu o braço para a perna e subiu-lhe a saia, pondo a descoberto as alvas nádegas da mulher. Depois, com suaves movimentos e flectindo um pouco as pernas, procurou a posição.
A Alice contrariada, discreta, ajudava gingando e empurrando-se para trás, colando-se mais a ele, ao mesmo tempo que com uma das mãos segurava os peitos que soltos, balançavam, balançavam.
- Assim, assim, disse ele e cachimbo-a mesmo ali.
- Ai! Ai! Lice! Disse ofegante e empurrando profundamente..
- Raio do homem, No querem lá ver? Come anda, quero-me ir embora. – diz a Alice compondo a saia e aninhando os fartos seios na apertada blusa preta.
JC (2008 Abr 05)

Texto escrito e enviado via email, pelo amigo JC. O "Moinho" está grato por esta "lembradura", no seu dia nacional.


E, como o prometido é devido, aqui vai uma foto do moinho de Vila Verde, mesmo sem velas abertas. Em cima, um moinho de Vila Verde antigo, penso que o último a desaparecer....

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dia Nacional dos Moinhos

Depois do sucesso com a iniciativa levada a cabo pela primeira vez no ano passado, a Rede Portuguesa de Moinhos volta a organizar o Dia dos Moinhos Abertos de Portugal, no Dia Nacional dos Moinhos, ou seja, a 7 de Abril de 2008, uma iniciativa de grande abrangência territorial e que envolve a colocação de um grande número de moinhos tradicionais em funcionamento e simultâneo durante um dia, visitáveis e abertos a todos e de acesso livre. Com esta iniciativa pretende-se atingir um impacto duradouro e reforçado a cada ano, na salvaguarda dos moinhos portugueses.
Desconhece-se se está prevista alguma actividade para o moinho de Vila Verde, o verdadeiro, da Junta de Freguesia.