É verdade. Não há adjectivos que cheguem para a cena insultuosa de um ministro da República hoje à tarde, na Assembleia da República. Podia ser noutro lugar qualquer, mas não tinha que ser mesmo ali. Só não se compreende como ainda não foi demitido... Lá mais para baixo ele também explica o porquê. Foi o caso do debate do estado da Nação de hoje. Tudo porque o ministro da Economia, Manuel Pinho, fez um gesto, colocando os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP.O debate era sobre a situação das Minas de Aljustrel e Bernardino Soares lembrou que Pinho teria ido à vila alentejana “dar um cheque”. Foi então que o ministro reagiu com o gesto que deixou os comunistas e bloquistas ofendidos. Foi o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que admitiu tratar-se “de um excesso”, a pedir desculpas ao PCP. Bernardino Soares aceitou as desculpas.
Manuel Pinho admitiu o excesso – “excedi-me” – e abandonou a Assembleia. Questionado pelos jornalistas, ao abandonar o hemiciclo, Manuel Pinho reconheceu tratar-se de “um gesto desesperado”, mas recusou que o incidente seja suficiente para deixar o Governo. “Absolutamente, sobretudo enquanto safar postos de trabalho”, disse Pinho, que lembrou o esforço – “passámos muitas noites sem dormir” – para tentar “salvar” postos de trabalho nas minas de Aljustrel.
(Obrigado pelo "sacrifício" senhor Ministro, digo eu :=))
Grande momento da democracia portuguesa. Quem pensava que já tinha visto tudo, enganou-se. Que belo exemplar de ministro. E se Bernardino Soares lhe retribuisse o gesto ;=).